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10 mulheres brasileiras com grandes conquistas na ciência

Se, atualmente, ainda encontramos muitas disparidades no meio acadêmico e na sociedade quando falamos do gênero feminino, a situação era ainda mais complicada e opressiva no final do século XX. Para que pudessem ocupar os bancos das universidades brasileiras, as mulheres tiveram de lutar para provar que seus estudos dentro da academia poderiam ser tão brilhantes quanto os dos homens. Uma pesquisa publicada neste mês pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) revelou que 72% dos artigos científicos do país são escritos por mulheres. Isso mostra uma grande conquista delas na ciência brasileira — o Brasil se tornou o país ibero-americano com a maior porcentagem de artigos científicos assinados por mulheres, seja como autora principal ou como co-autora. Entre 2014 e 2017, o Brasil publicou cerca de 53,3 mil artigos.

A história das mulheres com a ciência e também inseridas no ambiente acadêmico tem sido uma luta contínua, seja para provar que certos estudos acerca do sexo feminino que foram amplamente lidos e prestigiados não fazem mais sentido e se tornaram completas mentiras ou para conquistar um espaço justo entre os homens da academia. Inferior é o Caralho, da jornalista britânica Angela Saini, publicado pela marca Crânio, da editora DarkSide Books, relata a dura jornada das mulheres nos laboratórios do mundo todo e esclarece as meias verdades criadas pela ciência sobre as diferenças entre os sexos.

Confira a história de algumas mulheres brasileiras pioneiras na ciência. Seus estudos contribuíram e ditaram os rumos da biologia, botânica, medicina entre muitas outras áreas.

A médica Maria Augusta Generoso Estrela

Maria Augusta Generoso Estrela nasceu no Rio de Janeiro, em 1860, e se formou em Medicina pela New York Medical College and Hospital for Women, em Nova York, no ano de 1882. As faculdades de Medicina do Brasil não aceitavam mulheres em seus bancos, portanto Maria Augusta escolheu se mudar para os Estados Unidos onde concluiu seus estudos e retornou ao Brasil. Ela inspirou milhares de mulheres a seguirem o sonho de se tornarem médicas e, atualmente, seu nome ocupa a cadeira 64 na Academia de Medicina de São Paulo.

A bióloga Bertha Lutz

Bertha Lutz nasceu em 1894, na cidade de São Paulo. Ela cursou ciências na Universidade de Sorbonne, em Paris e, em 1919, foi a segunda brasileira a se tornar funcionária pública depois de ser aprovada em um concurso do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Especialista em anfíbios e militante pelo direito das mulheres ao voto, a cientista participou do movimento Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que liderou as campanhas pelo voto das mulheres no Brasil, conquistado em 1932. Quatro anos depois, Betha Lutz assumiu mandato de deputada federal.

A psiquiatra Nise da Silveira

Os trabalhos de Nise da Silveira mudaram a história da psiquiatria. Nascida em Maceió, no ano de 1905, Nise foi a única mulher a se formar em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. Um dos principais símbolos da luta antimanicomial do Brasil, ela chegou a ser presa em 1936 e, anos mais tarde, desenvolveu um trabalho pioneiro envolvendo a arte como forma de terapia ocupacional para pacientes esquizofrênicos e foi uma das primeiras profissionais a inserir animais no processo terapêutico. Nise era apaixonada por gatos e sua história de vida virou filme, disponível na Netflix.

A historiadora Alice Piffer Canabrava

Alice Piffer Canabrava viu o simples fato de ser mulher interferir bruscamente em sua vida acadêmica. Nascida em 1911, a historiadora viveu em Franca, no interior de São Paulo, e se formou em História no ano de 1942. Alguns anos depois, ela disputou uma vaga para lecionar História da América, na Universidade de São Paulo, instituição onde se graduou. E, mesmo sendo a candidata com maior média no conjunto de testes, a academia concedeu a vaga a um homem. Em 1951, Alice se tornou a primeira professora catedrática da USP, na cadeira de História Econômica Geral do Brasil

A botânica Graziela Maciel Barroso

Nascida em 1912, Graziela Maciel Barroso se casou com apenas 16 anos e só conseguiu retomar os estudos depois dos 30. Foi estagiária do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e iniciou os estudos em biologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) aos 47 anos. Ela escreveu o livro Sistemática de Angiospermas do Brasil, considerado referência internacional na área botânica.

A engenheira Enedina Alves

Enedina Alves Marques foi a primeira mulher negra a se formar em engenharia civil no Brasil. De família pobre, ela nasceu em Curitiba, em 1913 e seus pais trabalharam no campo depois da abolição da escravidão. Egressa do ensino público e tendo trabalhado como babá e doméstica, Alves cursou engenharia civil e se formou aos 30 anos na Universidade Federal do Paraná.

A engenheira-agrônoma Victória Rossetti

Victória Rossetti nasceu em 1917, no interior de São Paulo, e se tornou a primeira mulher a se formar em agronomia em todo o Estado. Pesquisadora, seus trabalhos se tornaram referência internacional no estudo de doenças em frutas cítricas. Ao longo da vida, Rossetti publicou mais de 400 trabalhos científicos, recebeu 55 prêmios nacionais e se tornou pesquisadora emérita do Estado de São Paulo.

A física Sonja Ashauer

Nascida em 1923 e com ascendência alemã, Sonja Ashauer se formou em física pela Universidade de São Paulo em 1942 e se tornou a segunda mulher formada no curso no Brasil. Menos de dez anos depois, ela se tornou a primeira brasileira a concluir o doutorado em física, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

A matemática Elza Furtado Gomide

Elza Furtado Gomide nasceu em 1925, em São Paulo. Em meio à Segunda Guerra Mundial, ela se formou em física na Universidade de São Paulo (USP), mas durante o curso Elza se apaixonou pela matemática e se tornou a primeira brasileira a concluir um doutorado em matemática. Ela defendeu sua tese em 1950, aprovada com louvor, e trabalhou na USP por 50 anos.

A astrônoma Rosaly Lopes

A astrônoma e vulcanologista Rosaly Lopes nasceu em 1957, no Rio de Janeiro. Ela é chefe do Departamento de Ciências Planetárias da Nasa e, atualmente, vive no Texas. Lopes já estudou dezenas de vulcões da Terra a fim de comparar suas condições com a de outros corpos celestes existentes no universo. Seus estudos abrangem os campos Astronomia, vulcanologia e ciência planetária e, em 2005, ela ganhou a Medalha Carl Sagan.

Via
DarkSide Books

Gabriel Lucas

Olá, sou o Gabriel Lucas (@oarapuka), tenho 22 anos, tão eclético quanto a esse site, falo sobre um pouco de tudo. Vamos ser amigos? Me chama em qualquer canto usando o @oarapuka 😀
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